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Três histórias cruzadas às 22h30 em julho de 1983.

 

Minha mãe aproveitava as férias para visitar sua família na praia. Meu pai seguia seu trabalho na capital paulista. Eu estava embrulhada para presente aguardando a hora exata para surgir na história.

 

Eles colocaram seus nomes na lista de adoção à brasileira (forma não utilizada atualmente, mas frequente nos anos 80) de uma enfermeira que trabalhava no hospital de uma cidade catarinense. Não montaram enxoval e nem arrumaram meu quarto porque a lista para adoção era extensa.

 

"Sua filha nasceu". Foi numa simples ligação telefônica que minha mãe recebeu a notícia que mudaria todas as noites de sua vida. Tão pronto ela falou com seu marido, que a partir daquele momento transformou-se em pai.

 

Você deve estar se perguntando: “Eles não arrumaram nada mesmo para sua chegada?”. Não! Pela lógica eu demoraria mais alguns meses para chegar. Aconteceu que os casais antecedentes aguardavam a chegada de menino e meus pais eram os primeiros na lista que tinham preferência por menina. Mas posso dizer que o motivo de eu ter chegado nesta família é que Deus quis assim (e não tinha escolha melhor!).

 

Maria Luiza. Nome português escolhido por meu pai. O registro no cartório foi concebido ainda em São Paulo antes de nosso primeiro encontro. Diz minha mãe que o frio em Santa Catarina era de doer os ossos e, para colaborar, chovia torrencialmente a ponto das estradas serem interditadas, mas nenhum obstáculo atrasou o que Deus escreveu e, cerca de três dias após meu nascimento, meus pais chegaram até mim.

 

Minha mãe me pegou em seus braços quentes e me embrulhou na manta de lã que ela pegou emprestada de um querido casal de amigos. Desde então estamos juntos, nós três! Grudados com cola e entrelaçados como fitas de presente.

 

Neste mesmo dia voamos para nosso lar em São Paulo. Eles realizados por agora serem pais e eu aconchegada no gostoso abraço de amor descobri que nasci para amá-los.